O ENVELHECIMENTO DA POPULAÇÃO EXIGE PREPARAÇÃO, CUIDADO E AÇÃO
O Brasil está envelhecendo rapidamente. As projeções indicam que, por volta de 2030, o número de pessoas idosas no país deverá superar o de crianças e adolescentes com até 14 anos. Essa transformação demográfica não representa apenas uma mudança nos números: ela exige novas políticas públicas, serviços especializados, profissionais capacitados e uma sociedade mais preparada para cuidar.
Esse movimento também acontece em escala mundial. Segundo a Organização Mundial da Saúde, a população global com 60 anos ou mais poderá alcançar aproximadamente 2,1 bilhões de pessoas até 2050. O envelhecimento populacional é uma grande conquista da humanidade, mas também traz a responsabilidade de promover autonomia, dignidade, saúde e qualidade de vida durante todas as etapas do envelhecer.
Entre os principais desafios desse cenário estão as demências. Estimativas internacionais apontam que o número de pessoas vivendo com alguma forma de demência poderá chegar a cerca de 153 milhões em 2050, quase três vezes o total registrado em 2019. Entretanto, a ciência também apresenta uma mensagem de esperança: aproximadamente 45% dos casos poderiam ser evitados ou adiados, por meio do enfrentamento de fatores de risco modificáveis ao longo da vida.
Isso envolve cuidados como controlar a pressão arterial, o diabetes e o colesterol; tratar perdas auditivas e visuais; manter-se fisicamente ativo; evitar o tabagismo e o consumo excessivo de álcool; cuidar da saúde emocional; fortalecer os vínculos sociais e continuar exercitando a capacidade de aprender, pensar, comunicar-se e participar da vida em comunidade.
Nesse contexto, as práticas de estimulação cognitiva, social e afetiva tornam-se importantes aliadas. Elas não devem ser vistas como simples passatempos, mas como estratégias que podem favorecer a atenção, a memória, a linguagem, o raciocínio, a interação social, a autonomia e a participação da pessoa idosa.
Em setembro de 2024, a série “Além do Esquecimento”, exibida pelo programa Fantástico, apresentou os benefícios das terapias não medicamentosas para pessoas que vivem com demência. A reportagem informou que o Brasil possuía cerca de 2 mil estabelecimentos dedicados a esse tipo de atendimento, quantidade considerada insuficiente diante da crescente demanda da população.
Esses dados deixam um alerta: não basta reconhecer que a população está envelhecendo. É necessário preparar cidades, famílias, instituições e profissionais para acolher essa nova realidade.
Investir em prevenção, estimulação cognitiva, convivência social e atendimento especializado é investir na preservação de histórias, capacidades e vínculos.
O futuro do envelhecimento começa nas decisões que tomamos hoje.
Por Denise Canabrava
Gerontóloga

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